O Programa VAC Brasil reuniu em Brasília organizações participantes para encontro de avaliação das iniciativas desenvolvidas nos últimos anos
Composto por 14 grupos e uma rede de 79 organizações da sociedade civil, que atuam em diferentes territórios da região amazônica, o programa oportunizou que participantes compartilhassem experiências e debatessem os desafios da agenda climática nos territórios.
O Projeto Saúde e Alegria, coordenador da coalizão Vozes do Tapajós composta pelas organizações Conselho Indígena Tapajós-Arapiuns, Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santarém, Conselho Indígena Tupinambá, Sociedade para Pesquisa e Proteção do Meio Ambiente – Sapopema, Coletivo Daje Munduruku e Associação Suraras do Tapajós destacou que o programa possibilitou levar o debate sobre mudanças climáticas para as bases e territórios. “O grupo reuniu seis organizações da região do Tapajós, que desenvolveram oficinas, mobilizações e incidência para exigir maior compromisso com a agenda climática”, contou Fábio Pena, coordenador do PSA.
Rogeni Almeida Santos Costa, da Fundação Avina, explicou que o fortalecimento do protagonismo territorial foi um dos principais resultados do programa. Segundo ela, a participação das comunidades vulnerabilizadas no debate sobre mudanças climáticas é essencial para a construção de uma governança climática mais democrática. Os desafios apontados incluem a necessidade de maior apropriação sobre o financiamento climático e a exigência de políticas públicas que garantam mitigação e adaptação aos impactos das mudanças climáticas.
Cleide Tupinambá, representante do Conselho Indígena Tupinambá, ressaltou a importância do encontro como espaço de aprendizado e fortalecimento. Segundo ela, temas como a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP) foram debatidos, ampliando o entendimento sobre a relevância desses eventos globais para populações tradicionais. Ela contou que os impactos das mudanças climáticas são sentidos diretamente nas aldeias, quilombos e comunidades e que o conhecimento adquirido deve ser levado para os territórios.
Isabel Cristina, do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), disse que a participação no programa possibilitou a troca de conhecimento e aprofundamento do debate sobre a mineração no Brasil. Ela ressaltou que a mineração impacta comunidades e territórios e que o programa fortaleceu a discussão sobre alternativas e resistência. Segundo Isabel, a mineração é uma dependência que compromete a sobrevivência das comunidades e, por isso, a mobilização deve continuar, com maior acesso a recursos para fortalecer as lutas populares.
Angélica Mendes, do WWF, uma das organizações líderes do programa, avaliou que o projeto contribuiu para ampliar a discussão climática nos territórios e fortalecer as organizações locais. De acordo com ela, o programa não criou novas iniciativas, mas potencializou as ações que já vinham sendo desenvolvidas, garantindo maior visibilidade e conexão entre os grupos. A perspectiva é que a participação dessas organizações em espaços nacionais e internacionais, como a COP 30, se fortaleça nos próximos anos.
Thaís Isabele, do coletivo Guardiões do Bem Viver, destacou a importância do programa para o fortalecimento da comunicação comunitária e educação climática. Ela relatou que a participação no encontro permitiu a troca de experiências com outras coalizões, ampliando a rede de apoio para as iniciativas territoriais. A articulação com organizações locais possibilitou a realização de oficinas e debates sobre mudanças climáticas dentro das comunidades, o que deve se intensificar com a aproximação da COP 30.
Raquel Tupinambá, do Conselho Indígena Tupinambá e WWF, ressaltou que o programa fortaleceu a incidência política das organizações. Ela destacou que as vozes dos territórios ganharam espaço em eventos nacionais e internacionais, fortalecendo redes e articulações entre grupos urbanos e rurais. O encontro permitiu refletir sobre as ações desenvolvidas e os desafios que ainda precisam ser enfrentados.
No Brasil o Programa VAC foi gerido pela WWF Brasil, Fundação Avina e Hivos.
Fotos: Katarina Silva/ WWF-Brasil.
